Moda inclusiva é muito mais do que estar na moda.

Moda inclusiva vai além dos desfiles da passarela. É preciso colocar em prática a adaptabilidade, ergonomia, facilidade e conforto.

Já parou para pensar sobre como a moda inclusiva é pouco discutida no Brasil? Falar sobre moda inclusiva é um debate abrangente e que não se restringe somente à questão de aparência, de estilo ou se sentir bonito diante do espelho.

Mobilidade, adaptabilidade, ergonomia, facilidade, praticidade, conforto são alguns dos conceitos que devem ser colocados em prática quando o assunto é sobre moda adaptada para pessoas portadoras de alguma necessidade especial.

Qualquer pessoa deve se olhar no espelho e gostar
da imagem refletida para assim, melhorar sua autoestima, a confiança e a
segurança em si mesma. Mas a moda
inclusiva
ainda tem um caminho longo para percorrer e se tornar
de fato uma realidade na nossa sociedade para que seja realmente acessível para
o público em questão.

As maiores fabricantes e as lojas mais renomadas do ramo voltadas para revenda de roupas ainda não contribuem efetivamente para que a moda inclusiva seja popular no Brasil. No exterior, marcas conhecidas mundialmente, como a Tommy Hilfiger se preocupam com a temática e já lançaram coleções completas voltadas para pessoas com deficiência.

O Brasil caminha a passos lentos, pois ainda é difícil encontrar lojas e marcas de roupas especializadas nesse segmento.

A boa notícia é que muitos estilistas já estão pensando e desenvolvendo esse tipo de vestuário, o que faz a maior diferença para quem realmente faz uso dele.

Democratizar o acesso a essas roupas adequadas é uma maneira humana de pensar em todas as pessoas que fazem parte da sociedade.

 

 

Sem preconceito: da moda tradicional para
a moda inclusiva

O Brasil foi o primeiro país no mundo a produzir
e executar um desfile de moda completamente voltada para a moda inclusiva, onde todas as peças
confeccionadas tiveram 100% da concepção pensada para a pessoa portadora de
alguma necessidade especial.

Porém, o universo da moda inclusiva não é somente
passarela. Ao pensar em confeccionar peças de vestuário para deficientes, as
ideias ultrapassam a questão de tecido, costura ou beleza. Pessoas portadoras
de necessidades especiais devem ter roupas adequadas para sua realidade, e cada
caso é um caso.

Ao pensar na coleção para a próxima estação, as
marcas da moda tradicional mais renomadas do mercado pensam em produzir roupas
específicas para determinados públicos. Ou seja, elas pensam no perfil de
determinados grupos sociais, tais como aquelas pessoas que prezam pela
elegância, pela esportividade, por peças mais confortáveis ou mais formais,
entre outras características.

Então, quando falamos sobre moda inclusiva, a linha de
raciocínio deve ser a mesma. Sendo assim, é importante pensar não só na
adequação da roupa para determinado tipo de deficiência, como também na questão
do perfil, do estilo de vida e até mesmo na profissão que a pessoa exerce.

Ambientes e ocasiões diferentes pedem roupas diferentes. Por isso, é fundamental que os estilistas realmente desenvolvam peças de vestuário específicas para quem é portador de algum tipo de deficiência e pensem também no perfil do usuário.

A moda é para todos e por isso mesmo não faz sentido que algumas pessoas devem se privar de se sentir bem e confortável onde quer que estejam.

 

 

Adaptação das roupas para a moda
inclusiva

Moda não é apenas falar sobre glamour, ser fashion ou fazer desfiles em passarelas renomadas mundo afora. A temática moda é abrangente e depende de adaptação para qualquer que seja sua finalidade.

Além da moda inclusiva, existe, por exemplo, a moda sustentável que é completamente voltada para produzir roupas de modo que não agrida ao meio ambiente.

Nesse sentido, toda a logística de produção sustentável será planejada e executada para que as roupas sejam elaboradas com o intuito de não gerar poluição ambiental.

Desde a produção do tecido, passando pelo tingimento, pelo corte até chegar a parte da costura e finalização, todas as etapas são priorizadas a sustentabilidade.

Por isso, é importante ressaltar que a adaptação das peças de roupas acontece para qualquer público. E, se tratando de um universo que é tão pouco explorado, como a moda inclusiva, essa adaptação ocorre de acordo com o tipo da deficiência, com a escolha do tecido e até mesmo pelo momento da confecção das roupas.

Os estilistas pensam também nas costuras e nos cortes para que não incomode o usuário e facilite na hora da vestimenta.

 

 

Acondroplasia

Andar pela seção da loja destinada ao público infantil é uma situação recorrente para quem tem acondroplasia, o que é popularmente conhecido como nanismo ou pessoa anã.

Essa pode ser uma situação um tanto quanto constrangedora para muitas pessoas e é uma realidade enfrentada constantemente por esse público.

Usar roupas com temáticas infantis pode não
agradar às pessoas com acondroplasia, mas no momento da compra essa pode ser a
realidade encontrada por muitas delas, tendo em vista que as opções para essas
pessoas são quase nulas.

Ou, outra opção encontrada, é comprar peças de
tamanho maior e pedir para que um profissional da costura faça os devidos
ajustes. Ou seja, a pessoa tem dois gastos para adquirir uma única peça de
roupa.

Além de não encontrar peças adequadas para si mesmas, as pessoas com acondroplasia também encontram outra dificuldade na hora da escolha das peças, pois geralmente os cabides não ficam em altura acessível para elas.

Por isso, elas dependem da ajuda do vendedor para tirar as peças para levar para o provador.

 

 

Coordenação motora

Fechar um botão muitas vezes é um gesto
corriqueiro desempenhado pela maioria das pessoas que usam roupas como camisa
social ou calça jeans, com maior facilidade. Mas para quem tem dificuldade de
coordenação motora, essa ação não é tão simples assim.

Muitos estilistas que trabalham com moda inclusiva e desenvolvem peças para essas pessoas, confeccionam roupas que possuem diferentes alternativas para ser fechadas.

Soluções como usar ímãs ou velcro foram encontradas para facilitar a vestimenta. Isso gera mais autonomia, tendo em vista que elas não precisam de ajuda de outras pessoas para se vestir e/ou despir.

 

 

Paraplegia e tetraplegia

São duas deficiências comparadas por muita gente
que acha a mesma coisa. Mas não é bem assim. A paraplegia e a tetraplegia são
diferentes e cada uma delas tem sua especificidade. Portanto, a concepção de
vestuário deve ser pensada de forma diferente, embora possam ter similaridade
em alguns aspectos.

Para a paraplegia, os profissionais da moda
pensam em confeccionar peças sem costura na parte das costas, tampouco colocar
botões e bolsos na parte de trás, pois isso pode ocasionar ferimentos na pele,
já que os usuários permanecem sentados durante longos períodos.

Já para a tetraplegia, além dessas questões, os estilistas pensam em confeccionar roupas que facilitem também para quem vai colocar e tirar a roupa do tetraplégico, uma vez que ele não possui movimento nem dos braços nem das pernas.

 

 

Deficiente Visual

Por que as etiquetas de roupas não possuem
informações em braile? Por que as peças roupas não possuem uma marcação para o
deficiente visual identificar frente/verso? Essas são algumas das preocupações
que profissionais da moda inclusiva
têm quando elaboram suas coleções.

Para citar alguns exemplos, estilistas dessa área
já desenvolveram peças em alto relevo, etiquetas em braile, vestido com
possibilidade de vestir de ambos os lados. A criatividade vai longe.

Mas para isso é importante conhecer o público-alvo e as suas reais necessidades. Com certeza existem muitos estudos, entrevistas e pesquisas realizadas e muitos erros cometidos para chegar ao sucesso das peças adequadas como resultado final.

O mercado da moda inclusiva vem crescendo porque existem pessoas interessadas, basta que os empresários estejam atentos para atender a essa demanda.

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